As torradeiras gostam de música, ouvem música e até fumegam quando alguns sons lhe entram nos circuitos que, teimosamente, insistem em manter-se alheados daquilo que as pode avariar.
As torradeiras gostam de música, ouvem música e até fumegam quando alguns sons lhe entram nos circuitos que, teimosamente, insistem em manter-se alheados daquilo que as pode avariar.
Debaixo de um tecto branco podia estar qualquer coisa. Qualquer coisa que fizesse a diferença. Mas, não. Estava apenas ela, uma torradeira que dizia:
- Oh Well…
Na soleira da porta, esta música. E ela, que não fazia diferença nenhuma. A porta, essa, continuava fechada.
Aquilo de que são feitos os dias pode-se enterrar em qualquer lado. Basta um punhado de terra. Nem importa que seja escura.
E se levarem com um baixo em cima, ficam debaixo do baixo.
No interior de uma torradeira há um mundo de coisas sem interesse nenhum, as mais das vezes, inutilidades. Guardadas porque nunca se sabe! Juntas, formam o interior da torradeira que assim, acaba por ter no seu interior coisas que, no fundo acabam por ser o seu interior, mais do que o outro interior que a forra apenas.
São essas coisas que a distinguem das outras torradeiras e que a tornam naquilo que mais nenhuma torradeira é – uma torradeira sem interesse nenhum.
Isto não é nem grave, nem especialmente interessante. É, apenas!
Há dias em que as torradeiras ficam assim a girar, a girar e até pensam que, a girar assim, podem muito bem dizer que são um gira-discos.
Presunçosas e vaidosas, continuam a dizer que giram. E giram!
Protego-me, todo eu. Descubro. Ponho a nu. No meio de tanta areia, ondes estás tu? As guitarras e a música estão aqui e tu, ondes estás tu?
Aqueço-me, contigo nas costas!
(aqueço-me eu ou aqueces-me tu?)